quinta-feira, 19 de julho de 2018

LIBERDADE, CONTROLE E O DUPLIPENSAR ESQUERDISTA

Por Jonas Chaves 

A ideologia de esquerda confere a si mesma a honra de ser a perspectiva que garante a liberdade ao espírito humano. A despeito do amplo testemunho contrário a isso, dizem os seus signatários que apenas nesta corrente de pensamento encontra-se a mentalidade inconformada com o estado de coisas, por demais arcaico e ultrapassado, que estigmatiza paradigmas opressores e que, portanto, precisa ser superado. Esta é a chamada “mentalidade revolucionária”.
O filósofo Olavo de Carvalho define mentalidade revolucionária como “o estado de espírito, permanente ou transitório, no qual um indivíduo ou grupo se crê habilitado a remoldar o conjunto da sociedade – senão a natureza humana em geral – por meio da ação política; e acredita que, como agente ou portador de um futuro melhor, está acima de todo julgamento pela humanidade presente ou passada, só tendo satisfações a prestar ao ‘tribunal da história.’.” Embora não tenham consciência disso, muitas das pessoas que estão a nossa volta carregam, em maior ou menor grau, tal mentalidade. Isso porque a estratégia para que se alcance este “senso comum” (ideal do filósofo marxista Antonio Gramsci) é sorrateira. Não é necessário para os seus emissários deixar claro para as pessoas o conceito de mentalidade revolucionária para, então, incutir na mente das massas o que eles querem. 
Para aqueles que encaram os fatos históricos (contra os quais, segundo o adágio popular, não há argumentos) de maneira minimamente honesta, é inegável que a ideologia esquerdista (comunista, socialista, marxista, ou como queiram) na prática é o inverso daquilo que propõe sua teoria. Onde quer que se tenha estabelecido um regime baseado no pensamento comunista no globo terrestre, o que se viu foi um imensurável tolhimento daquela mesma liberdade tão proclamada e alardeada pelos seus postulantes. A não ser que o conceito de liberdade tenha mudado e nem sequer aos dicionaristas isso tenha sido avisado, o comunismo passou muito longe de garantir a tal liberdade a quem desse crédito às falsas promessas de seus falsos profetas. Miséria, tortura, fuzilamentos e tantos outros absurdos foram o resultado das ditaduras comunistas pelo mundo. 
Os números são assustadores. De acordo com O Livro Negro do Comunismo foram 20 milhões de mortos na URSS, 65 milhões na China, 1 milhão no Vietnã, 2 milhões na Coreia do Norte, 2 milhões no Camboja, 1 milhão no Leste Europeu, 1,7 milhão na África, 1,5 milhão no Afeganistão e 150 mil na América Latina. E não houve “deturpação de Marx”. Muito pelo contrário. Houve, sim, uma obediência irrestrita às suas ideias levada às últimas conseqüências. As palavras do próprio Marx quanto à forma como se deveria tomar o poder da burguesia e estabelecer a famigerada ditadura do proletariado são claras: “Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda ordem social existente. Que as classes dominantes tremam à ideia de uma revolução comunista!", disse o guru da esquerda. 
Talvez não haja mais daqui pra frente experiências como as da União Soviética ou da China, por exemplo. Talvez. Mas isso não significa que o pensamento altamente destrutivo de Marx não esteja em ação. De uma forma diferente, menos violenta, porém igualmente cativante, esta mentalidade revolucionária se faz presente. O que vemos diante dos nossos olhos senão uma ditadura dos incomodados? O que significam movimentos como feminismo, gayzismo (e suas variantes), abortismo, etc.? Por que é que pensar diferente de tais grupos é “politicamente incorreto”? A resposta é: porque o que se quer é alcançar a DITADURA DO PENSAMENTO ÚNICO. Não há espaço para o contraditório. Quando se pensa igual, a manipulação é mais fácil. A “intelectualidade” brasileira, totalmente submersa na areia movediça do pensamento de esquerda e rezando cegamente a sua cartilha, tem fabricado verdadeiros fantoches, que não conseguem emitir uma única opinião que não esteja alinhada com seu discurso vazio e idiotizante. 


Ser de esquerda é isso. É falar com força visceral em liberdade e igualdade, na mesma proporção em que busca de forma ostensiva o cerceamento da liberdade e a anulação da igualdade. Este duplipensar só é possível na esquerda, que caracteriza-se pela possibilidade de se acreditar piamente em duas coisas mutuamente excludentes. Não há problema algum se você é cristão e defensor do aborto ao mesmo tempo. Afinal, as leis da não-contradição e do terceiro excluído não são mais necessárias, constituindo-se, na verdade, de mais uma tentativa de perpetuação de um pensamento arcaico e opressor, devendo, portanto, ser eliminado. O esquerdismo ainda não fracassou em seu plano maquiavélico; quem ainda não se deu conta disso pode estar começando a tornar-se mais um fantoche politicamente correto e escravo da ignorância esquerdista.        

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